ELEGIAS DE DUINO RILKE PDF

Iniciadas em , no castelo de Duнno, perto de Trieste, Rilke sу as terminou dez anos depois, em Fevereiro de , na Suнзa, quase simultaneamente com a criaзгo de uma outra obra, "Os Sonetos a Orfeu". Nos longos anos que se seguiram ao primeiro impulso criador, ele conseguiu apenas concluir a III Paris, , escrever a IV Munique, e partes da VI e IX, estas ъltimas por ocasiгo de sua viagem а Espanha, entre e Ainda que vбrias circunstвncias tivessem concorrido para retardar a conclusгo desse longo poema, onde se encontra visгo poйtica e trбgica de um mundo que desaparece, essa demora foi em grande parte motivada - segundo testemunho de Maurice Betz - pela preocupaзгo do poeta em lhe dar a necessбria unidade. Oculta para quem a procure numa continuaзгo por assim dizer linear, de um poema a outro, ela se revela entretanto pelo sentido comum que os poemas possuem. Embora se possa dizer que as dificuldades da linguagem poйtica de Rilke sejam devidas а circunstвncia de ser ele o poeta de um tempo que nгo sabe pensar poeticamente, como disse Butler, nгo й menos certo que a dificuldade principal decorre de fatores inerentes а prуpria obra, entre os quais uma certa ambigьidade voluntбria e mesmo procurada. Tudo isso concorre para que as elegias se coloquem, como jб salientou Romano Guardini, entre os textos mais difнceis da literatura alemг.

Author:Yozshugar Meztim
Country:Finland
Language:English (Spanish)
Genre:Science
Published (Last):9 September 2004
Pages:228
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ISBN:511-8-94044-261-3
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Iniciadas em , no castelo de Duнno, perto de Trieste, Rilke sу as terminou dez anos depois, em Fevereiro de , na Suнзa, quase simultaneamente com a criaзгo de uma outra obra, "Os Sonetos a Orfeu". Nos longos anos que se seguiram ao primeiro impulso criador, ele conseguiu apenas concluir a III Paris, , escrever a IV Munique, e partes da VI e IX, estas ъltimas por ocasiгo de sua viagem а Espanha, entre e Ainda que vбrias circunstвncias tivessem concorrido para retardar a conclusгo desse longo poema, onde se encontra visгo poйtica e trбgica de um mundo que desaparece, essa demora foi em grande parte motivada - segundo testemunho de Maurice Betz - pela preocupaзгo do poeta em lhe dar a necessбria unidade.

Oculta para quem a procure numa continuaзгo por assim dizer linear, de um poema a outro, ela se revela entretanto pelo sentido comum que os poemas possuem. Embora se possa dizer que as dificuldades da linguagem poйtica de Rilke sejam devidas а circunstвncia de ser ele o poeta de um tempo que nгo sabe pensar poeticamente, como disse Butler, nгo й menos certo que a dificuldade principal decorre de fatores inerentes а prуpria obra, entre os quais uma certa ambigьidade voluntбria e mesmo procurada.

Tudo isso concorre para que as elegias se coloquem, como jб salientou Romano Guardini, entre os textos mais difнceis da literatura alemг.

As Elegias de Duнno, condensam por assim dizer uma riquнssima experiкncia poйtica e existencial, e estгo de tal modo ligadas a episуdios e experiкncias da prуpria vida do poeta que, por vezes, sу o conhecimento desses fatos pode lanзar luz sobre certas obscuridades.

As igrejas que Rilke visitou em Roma e em Nбpoles, a sua longa experiкncia de Paris, aqueles amantes que ele encontrou, absortos em seu amor, no cais do Sena, os saltimbancos que ele viu no Luxemburgo, o cordoeiro que ele conheceu em Roma, e cujo trabalho lhe pareceu a repetiзгo de um dos "gestos mais antigos da humanidade", o oleiro а beira do Nilo, reminiscкncias de sua viagem а Espanha, tudo isso se acha contido, embora аs vezes transfigurado pelo ato poйtico, nas Elegias de Duнno.

Escritas, como foram, sob a pressгo de uma forзa que ao poeta pareceu de origem sobrenatural, como ele mesmo relatou em carta a Marie von Thurn und Taxis e Lou Andreas Salomй, as elegias mostram, em inъmeros trechos, a preocupaзгo absorvente e exclusiva de Rilke em transmitir a sua mensagem, o seu descobrimento, embora para isso tivesse de forзar, como forзou por vezes na V elegia, a lуgica da linguagem e, em certos versos, a prуpria estrutura da lнngua alemг.

A dificuldade lingьнstica das Elegia de Duнno reside muitas vezes, porйm, no fato de que a mensagem traduzida por elas atinge, nгo raramente, os limites do dizнvel poйtico na forma espantosamente direta em que estб vazada. O tema central das Elegias й o mistйrio do homem e de seu destino num mundo que desaparece. Ao redor, porйm, desse tema central alguns temas secundбrios formam a estrutura do poema.

E o primeiro objetivo de uma interpretaзгo deve consistir na revelaзгo desses temas secundбrios, na manifestaзгo do que eles encobrem e pressupхem. Entre estes o tema do anjo й o que aparece em primeiro lugar. O anjo й aquele que, como notou E. Schmuidt-Pauli, representa nas elegias uma realidade espiritual superior. Aos problemas que nos foram revelados atravйs dos temas precedentes o anjo, os amantes, a boneca, os saltimbancos, o herуi e o animal , Rilke opхe afinal o tema da metamorfose.

Atravйs dela o poeta encontrou para si o caminho que Malte buscara inutilmente: o da confirmaзгo de que a vida й enfim possнvel. Preso ao cotidiano, e mais inseguro do que o animal I e VIII ; incapaz de se realizar no amor que , todavia, num momento lhe parecera oferecer quase a eternidade, e condenado ao perecimento incessante de seu prуprio ser, como um cheiro que se exala e se perde; nem anjo nem Boneca, nem real nem ator, com a sua mбscara cheia IV ; e ainda como os Saltimbancos da V elegia, que nos dгo uma ilusгo de realidade, mas nгo a realidade mesma, o poeta, que como aquele Malte Laurids Brigge ficara na "superfнcie da vida", descobre na metamorfose, atravйs da qual o herуis jб se realizara, o segredo do seu destino.

Sу interiormente, o mundo das coisas efкmeras e perecнveis, que й o nosso mundo, continuarб a existir. O que "cai e desaparece" aos nossos olhos continua a existir no coraзгo do poeta.

Nessa transformaзгo do visнvel, que й o mundo dos olhos, no invisнvel que se acumula, transfigurado e salvo, em nosso coraзгo, estб a essкncia da metamorfose. E nisso estб o orfismo rilkeano: a poesia como instrumento para outro fim que nгo o puramente estйtico. A partir de , a poesia de Rilke inicia aquilo que o poeta chamou "a obra do coraзгo".

Para trбs, Rilke deixava, ultrapassada e superada, a "obra do olhar", sobre cuja formaзгo o escultor Rodin sobretudo exercera uma influкncia tгo grande.

Desse perнodo sгo as "Ding-Gedicht"; a esse perнodo ainda pertence o "Malte Laurids Brigge", onde jб se pressentem todavia sinais de uma novo rumo.

Superada, porйm, a fase precedente, que parece corresponder a uma etapa necessбria em toda evoluзгo poйtica, Rilke inicia, celebrando com um poema intitulado "Wendung", a obra do coraзгo". As Elegias representam a obra culminante realizada pelo poeta nessa segunda fase da sua evoluзгo. Nela estб condensada toda a sua experiкncia artнstica e humana, os dramas de sua vida, o problema do amor e a concepзгo da vida e da morte como um todo inseparбvel no tempo, dentro do qual existimos ou deixamos de existir.

Nas elegias, a forma adotada pelo poeta difere sensivelmente daquela em que foram escritas as suas obras anteriores. Sem rima e sem mйtrica, em verso livre com exceзгo da quarta e da oitava que estгo escritas no equivalente alemгo do "blank verse" inglкs, como observou C.

Bowra, no seu estudo sobre tradiзгo simbolista as Elegias antecipam, por assim dizer, a seqькncia psicolуgica que T. Eliot usou em "Waste Land". Poeta fundamental, Rilke й a voz de uma йpoca em transiзгo. Talvez seja a ъltima voz do seu tempo, aquela que anunciou o "fim dos tempos modernos", como quer Romano Guardini, e ao mesmo tempo a primeira voz e o primeiro poeta dessa nova era que estamos comeзando a viver.

E dado mesmo que me tomasse Um deles de repente em seu coraзгo, eu sucumbiria Ante sua existкncia mais forte. Pois o belo nгo й Senгo o inнcio do terrнvel, que jб a custo suportamos, E o admiramos tanto porque ele tranqьilamente desdenha Destruir-nos. Cada anjo й terrнvel. E assim me contenho pois, e reprimo o apelo De obscuro soluзo. A quem podemos Recorrer entгo?

Nem aos anjos nem aos homens, E os animais sagazes logo percebem Que nгo estamos muito seguros No mundo interpretado. Resta-nos talvez Alguma бrvore na encosta que diariamente Possamos rever. Resta-nos a rua de ontem E a mimada fidelidade de um hбbito, Que se compraz conosco e assim fica e nгo nos abandona. Ela й mais leve para os amantes? Eles escondem apenas um com o outro a prуpria sorte. Nгo o sabes ainda?

Atira dos braзos o vazio Para os espaзos que respiramos; talvez que os pбssaros Sintam o ar mais vasto num vфo mais нntimo. Sim, as primaveras precisavam de ti. Muitas estrelas Esperavam que tu as percebesses. Do passado Erguia-se uma vaga aproximando-se, ou Ao passares sob uma janela aberta, Um violino se entregava.

Tudo isso era missгo. Mas a levaste ao fim? Nгo estavas sempre Distraнdo pela espera, como se tudo te ansiasse A bem amada? Se a nostalgia te dominar, porйm, cantas as amantes; muito Ainda falta para ser bastante imortal seu celebrado sentimento.

Aquelas que tu quase invejaste, as desprezadas, que tu Achaste muito mais amorosas que as apaziguadas. Comeзa Sempre de novo o louvor jamais acessнvel; Pensa: o herуi se conserva, mesmo a queda lhe foi Apenas um pretexto para ser : o seu derradeiro nascimento. As amantes, porйm, a natureza exausta as toma Novamente em si, como se nгo houvesse duas vezes forзas para realizб-las.

Jб pensaste pois em Gaspara Stampa O bastante para que alguma jovem, A quem o amante abandonou, diante do elevado exemplo Dessa apaixonada, sinta o desejo de tornar-se como ela? Essas velhнssimas dores afinal nгo se devem tornar Mais fecundas para nуs? Nгo й tempo de nos libertarmos, Amando, do objeto amado e a ele tremendo resistirmos Como a flecha suporta а corda, para, concentrando-se no salto Ser mais do que ela mesma?

Vozes, vozes. Escuta, coraзгo como outrora somente os santos escutavam: atй que o gigantesco apelo levantava-os do chгo; mas eles continuavam ajoelhados, inabalбveis, sem desviarem a atenзгo: eles assim escutavam. Nгo que tu pudesses suportar a voz de Deus, de modo algum. Mas escuta o sopro, a incessante mensagem que nasce do silкncio.

Ou uma augusta inscriзгo nгo se impфs a ti Como recentemente a lousa em Santa Maria Formosa. Que eles querem de mim? Lentamente devo dissipar A aparкncia de injustiзa que аs vezes dificulta um pouco O puro movimento de seus espнritos.

Certo, й estranho nгo habitar mais terra, Nгo mais praticar hбbitos ainda mal adquiridos, Аs rosas e outras coisas especialmente cheias de promessas Nгo dar sentido do futuro humano; O que se era, entre mгos infinitamente cheias de medo Nгo ser mais, e atй o prуprio nome Deixar de lado como um brinquedo quebrado. Estranho, nгo desejar mais os desejos. Estranho, Ver tudo o que se encadeava esvoaзar solto No espaзo. E estar morto й penoso E cheio de recuperaзхes, atй que lentamente se divise Um pouco da eternidade.

Os anjos dizem nгo saberiam muitas vezes Se caminham entre vivos ou mortos. A correnteza eterna Arrebata atravйs de ambos os reinos todas as idades Sempre consigo e seu rumor as sobrepuja em ambos.

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Rainer María Rilke: Primera elegía, de Las elegías de Duino

Duino Castle and the first elegies[ edit ] In , Rilke had completed writing the loosely autobiographical novel, Die Aufzeichnungen des Malte Laurids Brigge The Notebooks of Malte Laurids Brigge in which a young poet is terrified by the fragmentation and chaos of modern urban life. After completing the work, Rilke experienced a severe psychological crisis that lasted for two years. The princess who was twenty years older than Rilke and her husband Prince Alexander — enthusiastically supported artists and writers. Within days, he produced drafts of the first two elegies in the series and drafted passages and fragments that would later be incorporated into later elegies—including the opening passage of the tenth elegy. The third was finished in in Paris , the fourth in early in Munich. Because of his depression, Rilke was unable to return to writing for several years, [1] and only in was he motivated to focus towards completing his work on the Duino Elegies. However, for the next two years, his mode of life was unstable and did not permit him the time or mental state he needed for his writing.

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